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Pioneiro do evangelismo na TV brasileira falece aos 94 anos

Postado em 25 de Fevereiro de 2019 ás 13:27

Pastor Alcides Campolongo estava internado em um hospital no interior de São Paulo devido a complicações respiratórias.

 

Alcides Campolongo, que se tornou conhecido por apresentar o Fé para Hoje, primeiro programa religioso veiculado na TV brasileira, faleceu na manhã deste domingo, 24 de fevereiro, na cidade de São Carlos, no interior de São Paulo. Ele tinha 94 anos e se encontrava hospitalizado devido a complicações respiratórias.

Em 1948, Campolongo deixou as salas de aula do Colégio Adventista Brasileiro (CAB), hoje Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), na capital paulista, para dar início ao seu ministério pastoral, que posteriormente viria a se conectar com a comunicação. Menos de 20 depois de concluir a graduação em Teologia, em 25 de novembro 1962, ele se encontrava em frente às câmeras da TV Tupi Canal 4, quando foi ao ar a primeira edição do Fé para Hoje.

O convite para apresentá-lo veio do pastor Roberto Rabello, seu amigo íntimo que havia introduzido no País, em 1943, o programa radiofônico A Voz da ProfeciaMas aquela não fora sua primeira experiência diante de um público que não se via: ele dera sua contribuição em pelo menos quatro rádios, em uma das quais teve suas mensagens veiculadas ao longo de 20 anos.

Mas seu legado se estendeu para além da TV, veículo em que sua imagem permaneceu presente por 47 anos. Uma parcela significativa de sua vida foi dedicada ao evangelismo público, com campanhas que chegavam a durar um ano. Preocupava-se em preparar devidamente cada pessoa para que se decidisse por Cristo com convicção.

Influência

Além disso, buscava transmitir seu amor por Jesus e pela salvação das pessoas àqueles que pudessem ajudá-lo nessa missão. “Ele foi meu professor, meu discipulador. Tudo o que sei sobre evangelismo, aprendi com ele”, sublinha o pastor Luís Gonçalves, atual evangelista da Igreja Adventista para oito países da América do Sul.

Em 1986, Gonçalves foi batizado por Campolongo na cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo, após assistir a uma série de conferências bíblicas. Após algumas semanas, o rapaz foi convidado para ser um obreiro bíblico na equipe do apresentador de televisão. “Ali foi um doutorado de evangelismo com ele”, reforça ao lembrar da rotina diária: pela manhã, se reuniam e recebiam “aulas” de como fazer evangelismo, apelos, dar estudos bíblicos e fazer visitas missionárias; à tarde, iam até as casas dos interessados, e à noite seguiam para as reuniões evangelísticas.

“Quando a gente fazia as visitas, e dizia assim: “O pastor Campolongo, da TV Gazeta, do programa Fé para Hoje, vai estar comigo visitando você na sua casa” era algo tão impressionante, mágico. As pessoas, quando o recebiam, se emocionavam, choravam, e decidiam pelo batismo”, relembra Gonçalves, que hoje, a exemplo de seu professor, também apresenta programas na TV e no rádio.

Ele também foi responsável por trazer ao Brasil uma das iniciativas mais conhecidas da Igreja Adventista no País: o curso antitabagismo. A ideia foi importada dos Estados Unidos, quando, em 1962, participou de uma assembleia mundial da denominação na cidade de São Francisco. Embora tenha começado a potencializar em solo brasileiro o que aprendeu lá, preparou outras pessoas para que se dedicassem ao tema.

Ainda atuou em departamentos de Comunicação de escritórios administrativos adventistas e manteve relacionamento com a imprensa, o que ajudou a Igreja a se tornar notícia em diversas oportunidades. “Ele inspirava pela vida que vivia. Visionário e apaixonado pela missão, sempre buscou maneiras criativas e inovadoras para alcançar mais pessoas e assim apresentar as boas novas da salvação”, define o pastor Rafael Rossi, diretor do departamento de Comunicação da sede sul-americana adventista.

Após sua aposentadoria, retornou a São Carlos, cidade que havia deixado para cursar Teologia, mas continuou a anunciar o breve retorno de Cristo.

Marcas

Para o pastor Erton Köhler, presidente da Igreja Adventista para oito países sul-americanos, Campolongo foi um dos grandes evangelistas adventistas brasileiros “e alguém que dedicou tudo pelo cumprimento da missão.”

O corpo do evangelista será velado no templo adventista de Vila Prado, na cidade de São Carlos, onde também ocorrerá a cerimônia fúnebre nesta segunda, 25, às 9h30. O sepultamento está marcado para às 11h30, no cemitério Nossa Senhora do Carmo. Ele deixa a esposa, Neide, com quem foi casado durante quase 70 anos.

“Ele me preparou para essa obra maravilhosa de evangelismo. É por isso que hoje eu digo: “não basta ser adventista, tem que ser evangelista.” Ele não teve filhos, mas eu o considerava como um pai e ele me considerava como um filho”, emociona-se Gonçalves, que, a seguir, lista sete lições que aprendeu com Campolongo.

  • Evangelismo é muito mais do que pregar o evangelho: é amar as pessoas e falar como se elas fossem realmente de sua família. Por isso, a pregação do evangelho tem que ser com amor;
  • Além de pregar lá no púlpito, temos que visitar as pessoas nas casas;
  • Devemos dar estudos bíblicos para as pessoas nos seus lares, porque as maiores decisões são feitas em casa;
  • Quando se trata de princípios da Palavra de Deus, não se pode alterar e nem negociar;
  • Temos que contextualizar a mensagem de acordo com o público, cultura e região;
  • É preciso ser perseverante: não desistir de nenhuma campanha de evangelismo, pois não há lugar difícil e nem fácil, e todos podem ser evangelizados;
  • O evangelista deve ser uma pessoa consagrada, destemida e ousada.

Para conhecer mais sobre a vida e o legado de Alcides Campolongo, assista à série Vidas em Missão, disponível no Feliz7Play.

 

Fonte: https://noticias.adventistas.org/pt/noticia/evangelismo/pioneiro-do-evangelismo-na-tv-brasileira-falece-aos-94-anos/


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